Reflexão sobre a comunicação nas relações sociais, educacionais e profissionais em saúde . CMM
Reflexão sobre a comunicação nas relações sociais, educacionais e profissionais em saúde

Reflexão sobre a comunicação nas relações sociais, educacionais e profissionais em saúde

Essencial na pluralidade das relações humanas, a comunicação não é apenas linguagem verbal, nesta correlação complexa de nós humanos com o meio onde nos inserimos, a comunicação nasce imediatamente com o resto do que nós somos. Não sendo de todo esta uma Ideia evolucionista pessoal, a ideia é defendida e argumentada por Morten Kringelbach quando se refere às características físicas dos bebés como um apelo ao Cuidar e Proteger. 

A relevância desta reflexão prende-se com a evolução das dinâmicas nas organizações de Saúde, e na complexidade de toda esta rede, onde a comunicação adquire uma relevância singular, especialmente no contexto prático dos cuidados de Enfermagem. Dela depende a evolução, a aprendizagem, a adesão terapêutica e o sucesso da recuperação do nosso cliente, e na devida ordem o reconhecimento profissional e institucional.

Fundamental para estabelecer relações de confiança, a comunicação verbal é intrinsecamente “independente” da comunicação não-verbal! Contraditório?! Vejamos, conseguiremos transmitir uma má notícia verbalmente sem se fazer acompanhar por uma expressão corporal par!? A resposta é: “Sim”! Tudo porque a comunicação depende não só da nossa brilhante oralidade, mas também do seu conteúdo, do contexto em que nos encontramos, da pessoa com quem comunicamos (e suas crenças e vivências), da via pela qual a mensagem é transmitida e de como é transmitida (código). E num ambiente de cuidados de saúde, a nossa comunicação não-verbal ganha um peso maior, ela é observada de forma meticulosa pelos nossos clientes, exatamente porque naquele momento somos o foco da sua atenção. Mas como sermos assertivos na comunicação quando do nosso lado temos todo o nosso cosmos?! Infere-se, na literatura, que a resposta está na capacidade de estabelecermos empatia com o outro, é essa competência que aprimorada nos torna excelentes comunicadores nos cuidados de saúde enquanto enfermeiros. A linguagem não-verbal é tão relevante que, mesmo entre países de idiomas diferentes e culturas diferentes, existe um entendimento da mensagem através da expressão não-verbal: um sorriso é sempre um sorriso, o choro é sempre choro, a arrogância é sempre arrogância, o nervosismo passado através de gestos como suor nas mãos, atitudes tensas, passam uma mensagem (WEIL, 2002).

Uma má comunicação gera uma má interpretação, o que demonstra que o seu poder está alicerçado na assertividade. Sermos assertivos na comunicação verbal e na sua articulação com a comunicação não-verbal. Esta aptidão é adquirida informalmente na prática clínica, porém academicamente começam a existir disciplinas/projetos que ajudam a desenvolver estas competências interpessoais que se mostram fundamentais para a obtenção de ganhos em saúde.
Numa posição privilegiada no processo de comunicação com o cliente atendendo à área afetiva e emocional, o enfermeiro desempenha um papel comunicativo que contribui de forma dinâmica para a relação terapêutica entre profissional e utente, assumindo-o no exercício instrumental e técnico, na determinação de proximidade pluridisciplinar, em ações de prevenção, diagnóstico e/ou tratamento da doença estabelecendo uma relação de confiança que se traduz em ganhos em saúde. Importa assim saber efetivamente e na prática em que é que se traduz o ato de comunicar em ambiente clinico. Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa Comunicação significa “a capacidade de trocar ou discutir ideias, de dialogar, de conversar, com vista ao bom entendimento entre as pessoas” e também “convivência, trato, convívio”, a esta definição propõem-se acrescentar o criação da empatia com o cliente e a promoção da assertividade, adequando holísticamente o vocabulário, e linguagem corporal à pessoa com quem comunicamos. Diminuindo desta forma a ambiguidade da mensagem.

A empatia é a chave das relações e da comunicação, com ela conseguimos compreender através das expressões corporais o profissional, a sua motivação e o seu empenho.

Concluindo talvez nunca descubramos a perfeição na comunicação e no sincronismo entre linguagem verbal e não-verbal, sendo que tudo o que envolve relações humanas e perceção traz maiores desafios de compreensão, contudo, a prática é o maior aliado para a inovação dos cuidados em Saúde, quando inserida num processo de melhoria continua.



BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DE WALL, Frans In entrevista a Marcelo Marthe. A moral é animal. VEJA, São Paulo, ed. 2022, n. 33, p. 9-13, 22 de agosto de 2007.
FURNHAM, Adrian; Linguagem corporal no trabalho. [tradução de Márcia da Cruz Nóboa Leme]. São Paulo: Nobel, 2001.
WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 54.ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
WATZLAWICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmática da Comunicação Humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação [Tradução de Álvaro Cabral]. 12.ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2001.


Autora: Rita Martins, Enfermeira (C-90590) no CMM de:

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